Novos hábitos na pós-pandemia

A despeito das teorias populares de conspiração global (cuja algumas, confesso, fico tentado a acreditar) e das revelações bíblicas e escatológicas sobre o fim dos tempos (das que acredito no cumprimento gradativo em um futuro próximo), quero refletir aqui sobre algo mais momentâneo. Os efeitos colaterais da pandemia do Convid-19 estão causando uma mudança de hábitos em nosso cotidiano, não como fruto direto do vírus em si, mas do isolamento social. Este é fato social único para nós, em especial no Brasil. A reclusão e o isolamento social em casa nunca fizeram parte da cultura do povo brasileiro.

No decorrer da história, já lidamos com muitas doenças e crises, mas nada comparado a esta magnitude. Como vivemos de forma mais globalizada do que nunca, todos que sobrevivermos à nova pandemia viveremos em um novo mundo. O surto passará, como já vemos em alguns países, e a vacina e os medicamentos surgirão, no entanto, teremos um legado de novos hábitos e práticas que já terão influenciado para sempre alguns meios.

O comércio pela internet continuará em grande aceleração. Muitos nunca tinham feito compras pela internet e agora já apreciam a prática. Muitos perceberão que é mais barato exercitar-se em casa via streaming. Pessoas que jamais quiseram experimentar estudar via EAD, estão fazendo cursos diversos e até graduações. O home office crescerá e economizará tempo e dinheiro para empregadores e funcionários. As dispendiosas viagens a negócios estão sendo substituídas por reuniões virtuais. Encontros religiosos virtuais, algo que muitos antes não concebiam, se tornarão um novo hábito de muitos. Produtos de higiene e limpeza ganharão destaque como nunca. Consultas médicas online passam a ser lei em muitos países. Votações virtuais em reuniões públicas e administrativas agora são validadas como oficiais. Nossas já conhecidas máscaras, bem comuns em toda a Ásia, não deixarão mais os rostos urbanos no nosso país.

Gostemos ou não da realidade social da vida online e dos novos hábitos, ela chegou para ficar. O comércio e a indústria de produtos e serviços se moldarão à nova realidade.

O mundo está mudando e não será mais o mesmo. Não é sobre sermos pessimistas ou fatalistas, apenas, sobre termos bom senso. Pare de reclamar e de olhar somente para si. Vislumbre os horizontes e comece a se reinventar e a se adaptar à nova realidade. Vale lembrar de um conselho muito valioso que Jesus nos deu em seu mais famoso sermão: “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34). Viva um dia de cada vez!

Quaresma em quarentena

Estamos vivendo um tempo único, uma quaresma em quarentena domiciliar. É algo desafiador para todos nós! É também uma ocasião especial para refletirmos sobre a vida e morte de Jesus. Neste domingo chegamos ao The Palm Sunday ou, como conhecemos no Brasil, o Domingo de Ramos. Com ele iniciamos a mais importante celebração da fé cristã, a Semana Santa.

Domingo de Ramos celebra a entrada de Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho emprestado – símbolo de humildade – e aclamado pelo povo que O aplaudia dizendo “Hosana Àquele que vem em nome do Senhor!”, abanando ramos de palmas. Esse mesmo povo testemunhara maravilhado há poucos dias Jesus ressuscitar Lázaro, e tinha agora a certeza de que ele era o Messias anunciado pelos profetas aos judeus. Porém, boa parte deste povo e até alguns discípulos pensavam que Jesus seria um Messias político, um libertador que arrancaria Israel das garras de Roma e lhe devolveria o apogeu dos dias dos reis de Israel.

Para deixar claro que Ele não era um Messias político, mas o grande libertador do pecado – a raiz de todos os males – Jesus entrou em um jumentinho na grande Jerusalém, cumprindo assim profecias do Antigo Testamento. Jesus não é um Rei deste mundo!

Sua entrada triunfal em Jerusalém foi um prelúdio de Sua entrega e paixão. A mesma multidão que O saudou em breve pediria Sua morte. Jesus conhecia o coração dos homens e não estava iludido. Quantas lições nos deixa o Domingo de Ramos! Quem gosta de viver iludido pela fama popular – incluindo líderes políticos de nossos dias – precisa saber que o mesmo povo que aclama no domingo é o mesmo que crucifica na sexta-feira.

Jesus nos ensinou que o Seu Reino não é deste mundo. Que Ele não veio para derrubar César ou Pilatos, mas para destruir um inimigo muito pior e invisível: o pecado. Ele não é um imperador; é um rei de amor que Se entrega por Seu povo, para a redenção de todos nós. Para isso, passou para morte então destruí-la, perdeu a vida para ganhá-la. Jesus morreu a nossa morte para que pudéssemos herdar Sua vida.

Domingo de Ramos ensina-nos que nossa luta não é sobre pessoas, mas contra a desobediência e o mal. Que servir a Cristo é renunciar a si mesmo, como um grão de trigo que morre na terra para então dar fruto. Ele nos tira do comodismo e hedonismo para nos colocar diante Daquele que veio nos salvar. O apóstolo Paulo nos ensinou: “‘Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?’ Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 15:55,57). Um dos pais da igreja, Irineu de Lion, disse: “[Jesus] se tornou o que somos, mas nos tornamos o que Ele é”. Tenha uma abençoada semana em casa e celebre, porque o Domingo de Páscoa, Domingo de Ressurreição, logo chegará!.