A importância da fé em dias de crise

Quando falo de fé em Deus, em seu conceito bíblico e cristão mais amplo, não me refiro apenas às definições associadas à igreja local, católica ou evangélica, pentecostal ou protestante, carismática ou tradicional. Ao falar de “fé em Deus”, refiro-me a um relacionamento espiritual com Ele, algo que não podemos ver ou tocar, mas que podemos receber e desenvolver. A definição bíblica mais objetiva e conhecida de fé vem do autor da carta aos hebreus: “Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11:1). Na perspectiva bíblica, não temos fé ao ver para crer depois, mas crendo para então ver.

Nestes tempos tão desafiadores, em que nos vemos com 60 dias de isolamento social, não devemos viver um isolamento espiritual e emocional. Será mesmo que quem tem fé vive mais e melhor? Pesquisadores têm chegado cada vez mais à conclusão de que sim, a despeito de todo preconceito que o tema ainda enfrenta no meio acadêmico. Particularmente, creio que a fé saudável ajuda muito as pessoas; sinto isto em minha própria qualidade de vida e na de outros. Lendo uma entrevista do Dr. Harold G. Koening, que publicou mais de 300 artigos e de 40 livros sobre o assunto, me deparei com sua tese lúcida, clara e brilhante, que mostra como a fé ajuda as pessoas em diversos aspectos da vida, reduz o stress, gera conforto em momentos difíceis e leva o indivíduo a assimilar hábitos saudáveis.

Em síntese, Koening aponta que a fé nos ajuda a viver melhor por três pontos. O primeiro deles é que a fé atribui significado à vida, ou seja, ela gera uma vida com propósitos. De fato, a fé em Deus nos leva a compreender que não estamos aqui por acaso, mas fomos criados para servir. Na fé cristã, nosso modelo é Jesus: mesmo sendo Deus, veio à Terra servir e ensinar que devemos viver para além de nós mesmos. Assim, a fé nos ajuda nas decisões diárias, facilita a vida e reduz esforços desnecessários.

Koening também aponta que a fé gera relacionamentos e sociabilidade – uma afirmação totalmente coerente. Pessoas de fé tendem a se unir em grupos para ajudar em causas comuns.

Por fim, o cientista defende que a fé proporciona em geral hábitos mais saudáveis, como ingerir menos álcool, evitar o fumo, não realizar sexo de risco e promíscuo com múltiplos parceiros. A fé combate até mesmo o sedentarismo e faz com que pessoas se mexam mais! A fé cristã e os hábitos emocionais saudáveis recomendados por ela trazem muitos benefícios.

Portanto, viva mais e viva melhor. Viva diariamente professando uma fé verdadeira, ainda mais neste tempo de isolamento. Vamos vencer com fé! Com Jesus tudo vai ficar bem!.

Haja paciência durante a quarentena

Neste tempo de isolamento social imposto à população em virtude da Covid-19, é perceptivo como algumas pessoas não tem reagido tão bem a esta nova realidade. Elas perdem a paciência! Em especial, dentro do convívio familiar. Contudo, a paciência não é algo que se perde sem graves consequências para o indivíduo e para os que convivem com ele, ainda mais em casa. A perda desta virtude é altamente danosa à saúde coletiva. Paciência não é um sentimento, é uma expressão prática do amor. Paulo, em uma das suas cartas, escreveu aos cristãos da região grega da antiga Galácia: “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade […]” Gálatas 5:22 (grifo do autor).

A palavra portuguesa “paciência” vem do termo latino patientia, utilizado neste verso da Vulgata que, por sua vez, vem do adjetivo patiens (“aquele que sofre, que se submete, que suporta, que é paciente”). Este adjetivo deriva do verbo patior, que significa primordialmente “sofrer”, tanto no sentido habitual da palavra, quanto naquele de se passar por algo. Está de certa maneira relacionada à palavra do original grego, (makrothymia), que traduzimos por “paciência”. Esta palavra é composta por dois radicais, o adjetivo (makrós), que significa “longo”, “longe”, e (thymós), que significa “paixão”, “ira”. Assim, a tradução literal é uma “paixão longa”, ou seja, a qualidade de alguém que espera tempo o suficiente antes de demonstrar ira e evita demonstrar intensamente uma reação emotiva ou pessoal demais.

Quando aplicamos a paciência, portanto, estamos crescendo, sendo esticados para melhor entender, ajudar e servir ao próximo. Deus também tem makrothymia, e isso nos diz que só podemos resistir à tentação de sucumbir às paixões por meio da ação do Espírito, e é justamente por isso que é listada como um dos Seus frutos. Um exemplo bíblico traz: “Tenham em mente que a paciência (makrothymian) de nosso Senhor significa salvação, como também o nosso amado irmão Paulo lhes escreveu, com a sabedoria que Deus lhe deu” (2 Pedro 3:15).

A tradução inglesa do primeiro verso traz o termo longsuffering (resignação, resiliência), que se aproxima da ideia de um sofrimento, uma paixão, que é suportado por muito tempo antes de que se faça alguma coisa a respeito, de forma que esta ação seja justa e não meramente fruto das emoções.

Que haja paciência em nossas vidas e família, para assim não perdermos a cabeça e não venhamos a prejudicar um momento tão difícil em meio a esta situação de pandemia. Não existe nada que esteja ruim, que não possa ficar pior mediante a falta de paciência. Portanto, escolha a paz e a paciência!