‘Essa gente morena incômoda’

Nesta semana o jornalista José Roberto Guzzo, da Veja, embora grande articulista, produziu o artigo “Essa gente incômoda”, referindo-se a cristãos protestantes no Brasil. O texto é tanto mergulhado no preconceito quanto superficial e generalista.

Relembro a história dos protestantes históricos no Brasil, tão antiga quanto o país. Inicia-se com franceses protestantes, chegados em 1555. Cem anos depois, no período de domínio holandês, a Igreja Evangélica Reformada era a oficial, com considerável liberdade religiosa a católicos e judeus. Após sua expulsão em 1654, apenas com a vinda da família real portuguesa e o Tratado de Comércio e Navegação com os ingleses houve nova abertura aos protestantes. A Igreja Presbiteriana do Brasil foi fundada em 1859. No Sul e Sudeste, os luteranos, episcopais e batistas chegaram com maior presença em fluxos migratórios. Seu legado de hospitais, escolas, universidades e organizações sociais filantrópicas é imenso.

A partir do século XX, as igrejas históricas em solo brasileiro também se miscigenaram à brasilidade, assim como o catolicismo romano, que foi se aculturando à realidade brasileira indígena e afrodescendente. A fé evangélica de protestantes históricos e suas subdivisões foi dando lugar às igrejas pentecostais, neopentecostais e comunitárias, sob a influência do jeito de ser brasileiro. A realidade fragmentada da igreja evangélica brasileira é a clara realidade da sua sociedade: plural, mística e passional.

Guzzo apenas joga mais divisão em meio a este povo já subdividido. Sobre estes, ele diz: “esse povo composto por morenos e brasileiros, vem sendo visto com horror por gente do bem da sociedade”. Que tipo de afirmação é esta? Conclui, ainda, que esta “gente incômoda”, “são um problema sem solução”. Esta “gente” representa 22% da população brasileira.

Ser cristão evangélico é ser brasileiro. É ser sal e luz, como ensinou nosso Mestre. Relembro o fato, inclusive, neste mês em que completamos 500 anos da Reforma Protestante, um movimento que trouxe luz à sociedade em meio à era das inquisições. Sobre incomodar? Um dos primeiros cristãos do mundo, um romano convertido ao judaísmo, Paulo, sofreu o seguinte estigma nas ruas de Tessalônica, ao levar o Evangelho de Jesus: “Estes que têm transtornado o mundo, chegaram também aqui” (Atos 17:6). De fato, cristãos verdadeiros incomodam o mundo há 2.000 anos.

Ser cristão é ser maior que o Cristianismo. É ser de Jesus e seguir Seus ensinamentos sobre a vida, a família e a sociedade, por meio de um relacionamento pessoal de fé. Voltemos à racionalidade, ao bom senso e à boa fé cristã.

Uma ideia sobre “‘Essa gente morena incômoda’

  1. Parabéns!!! Espero q muitos comentem a respeito deste triste artigo publicado na revista veja. A atual sociedade grita aos quatro cantos a respeito da liberdade de se ser o q quiser, repugna todo tipo de preconceito e, de repente nos deparamos com um artigo daqueles!!!! É tão fácil criticar o q não se conhece!! O papel aceita qualquer coisa, espero q as pessoas não.
    Mas, ha uma maravilhosa verdade em tudo isso…em sua palavra Jesus disse q pelo nome Dele sofreríamos perseguição mas, seremos recompensados por isto.
    Nosso pais precisa de libertação..a verdadeira…pregada por Jesus Cristo…quem conhece a Ele nunca mais é o mesmo…..por isso incomodamos tanto!!!!
    “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” livro de João cap. 8 versículo 32.

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